segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Mar

Em tantas esquinas tentei eu te encontrar
Em tantos buracos parei
Em quinas que eu jamais quis encostar
Em coisas que eu nunca soube e que ainda não sei

Em tantos esboços eu rabisquei o seu nome
Rascunhos, rasgados, de raiva...queimei
Rabiscos de lápis esfregam-se e somem
E seu rosto é só mais uma das coisas que eu ainda não sei

Chorei

Senti-me amarga, cruel e ausente
Pedi um espaço para deixar-me alastrar
Perdi o compasso da vida presente
E estanquei o mar

Mar que queria jorrar do meu peito
E afogar você
Desfazer, destruir o que já estava feito
Fazer renascer
Mexer, sacudir, o parado e o perfeito
Empalidecer
Persuadir o rosto sagrado, sem jeito
Enrubrecer

Um comentário:

Carolina Muait disse...

não sabia que fazia gosto por poesia.
belíssima, essa.

beijos gaya