Sentia falta de escrever como nos velhos tempos da escola. De sentar-me a beira-mar e me deixar levar por rimas em versos bastante aleatórios. Sentei-me aqui hoje, não sei bem por quê.
É um finzinho de tarde cinzenta, de mar bravio com transatlânticos cortadores de horizonte. De gringos transeuntes, de gente a se exercitar. Vejo o dia fazer-se noite sem muita pressa, sem muito esforço.
Ouço Alanis, Beirut...qualquer coisa que me transporte, que me apaixone.
Meus sonhos estão todos por aqui.
Eu queria ser surfista, eu queria ser cantora. Eu queria estar bem longe e eu amo este lugar. O lugar onde escrevo. O meu lugar. Eu me orgulho de ser daqui. Me orgulho ainda mais de ser quem sou. Mas queria estar além-mar, além-ser. Será?
Sento aqui, sobre meus últimos suspiros de dezenove anos. Cheios de promessas, de futuros.
Espero o Arpoador acender como espero minha vida ascender no ano que se segue. No eterno que me aguarda. Me aguardem.
Sinto como se o mund aqui e além-horizonte me aguardasse. Como se estivessem a espera da minha estréia.
Estréia essa em que todas aquelas promessas e futuros se realizarão em história.
Perpasso livrarias e minha autobiografia, e esse texto já habitam vitrines, prateleiras e caixas.
Sou aquele transatlântico a passar por entre as Cagarras. Tão longe daqui, tão longe de lá.
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