Vidas podem ser vistas como filmes.
Algumas como curta-metragens; aos que vivem pouco.Outras, como cansativos longas felinianos. Entediantes e sem sentido.
Mas a maioria delas é como vulgares comédias americanas.Burguesas, comportadas e adequadas a todos os tipos de público!
Há sempre quem tente incrementar com os ares do drama francês ou a transparência e inproviso do cinema neo-realista.Mas poucos conseguem escapar de pastelões ou de comédias românticas de finais frustrantemente previsíveis.
Poucos têm o ímpeto e a coragem de renunciar ao futuro planejado tão conveniente e recomeçar de um ponto que possivelmente mudaria os rumos de uma trajetória aparentemente inevitável, imutável.
Na vida, apenas o fim é inevitável. Apenas a morte nos separa do que somos, do que fomos e do que podemos vir a ser.
De resto, somos donos de nossos próprios destinos. Os criadores e algozes de nossas obras, divinas ou diabólicas.
Somos deuses de nós mesmos. E de mais ninguém. Temos o poder e o dever de nos reverenciar. Ofertar nossos corpos, almas e corações a nós mesmos. Nossos prazeres e temores.
Em nossas mãos estão os cenários de nossos filhos. Inspirações de figurinos, trilhas sonoras e argumentos.
Assim como um dia, esteve nas lentes de nossos antepassados, veteranos, diretores de seus destinos, a matéria prima de nossas produções.
sábado, 22 de novembro de 2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Mar
Em tantas esquinas tentei eu te encontrar
Em tantos buracos parei
Em quinas que eu jamais quis encostar
Em coisas que eu nunca soube e que ainda não sei
Em tantos esboços eu rabisquei o seu nome
Rascunhos, rasgados, de raiva...queimei
Rabiscos de lápis esfregam-se e somem
E seu rosto é só mais uma das coisas que eu ainda não sei
Chorei
Senti-me amarga, cruel e ausente
Pedi um espaço para deixar-me alastrar
Perdi o compasso da vida presente
E estanquei o mar
Mar que queria jorrar do meu peito
E afogar você
Desfazer, destruir o que já estava feito
Fazer renascer
Mexer, sacudir, o parado e o perfeito
Empalidecer
Persuadir o rosto sagrado, sem jeito
Enrubrecer
Em tantos buracos parei
Em quinas que eu jamais quis encostar
Em coisas que eu nunca soube e que ainda não sei
Em tantos esboços eu rabisquei o seu nome
Rascunhos, rasgados, de raiva...queimei
Rabiscos de lápis esfregam-se e somem
E seu rosto é só mais uma das coisas que eu ainda não sei
Chorei
Senti-me amarga, cruel e ausente
Pedi um espaço para deixar-me alastrar
Perdi o compasso da vida presente
E estanquei o mar
Mar que queria jorrar do meu peito
E afogar você
Desfazer, destruir o que já estava feito
Fazer renascer
Mexer, sacudir, o parado e o perfeito
Empalidecer
Persuadir o rosto sagrado, sem jeito
Enrubrecer
Deixa
Deixa
Deixa o queixo bater de frio
Deixa o corpo tremer de cansaço
Deixa a mente mergulhar no vazio
Deixa as pernas, deixa a alma, deixa os braços
Sente o tempo levando as tristezas
Sente a força de se saber ser fraco
Deixa o mundo com suas friezas
Sente o poder do calor de um abraço
Sente no peito um profundo alívio
Vê ao redor o tamanho do estrago
Ouve o silêncio na dor do teu filho
Diz a palavra que desmancha os laços
Afia o fio da navalha!
Cai de novo em outro engano!
Entoa o grito da batalha!
Falha!
Que você é humano...
Deixa o queixo bater de frio
Deixa o corpo tremer de cansaço
Deixa a mente mergulhar no vazio
Deixa as pernas, deixa a alma, deixa os braços
Sente o tempo levando as tristezas
Sente a força de se saber ser fraco
Deixa o mundo com suas friezas
Sente o poder do calor de um abraço
Sente no peito um profundo alívio
Vê ao redor o tamanho do estrago
Ouve o silêncio na dor do teu filho
Diz a palavra que desmancha os laços
Afia o fio da navalha!
Cai de novo em outro engano!
Entoa o grito da batalha!
Falha!
Que você é humano...
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