sábado, 22 de novembro de 2008

Life, as a script

Vidas podem ser vistas como filmes.
Algumas como curta-metragens; aos que vivem pouco.Outras, como cansativos longas felinianos. Entediantes e sem sentido.
Mas a maioria delas é como vulgares comédias americanas.Burguesas, comportadas e adequadas a todos os tipos de público!
Há sempre quem tente incrementar com os ares do drama francês ou a transparência e inproviso do cinema neo-realista.Mas poucos conseguem escapar de pastelões ou de comédias românticas de finais frustrantemente previsíveis.
Poucos têm o ímpeto e a coragem de renunciar ao futuro planejado tão conveniente e recomeçar de um ponto que possivelmente mudaria os rumos de uma trajetória aparentemente inevitável, imutável.
Na vida, apenas o fim é inevitável. Apenas a morte nos separa do que somos, do que fomos e do que podemos vir a ser.
De resto, somos donos de nossos próprios destinos. Os criadores e algozes de nossas obras, divinas ou diabólicas.
Somos deuses de nós mesmos. E de mais ninguém. Temos o poder e o dever de nos reverenciar. Ofertar nossos corpos, almas e corações a nós mesmos. Nossos prazeres e temores.
Em nossas mãos estão os cenários de nossos filhos. Inspirações de figurinos, trilhas sonoras e argumentos.
Assim como um dia, esteve nas lentes de nossos antepassados, veteranos, diretores de seus destinos, a matéria prima de nossas produções.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Mar

Em tantas esquinas tentei eu te encontrar
Em tantos buracos parei
Em quinas que eu jamais quis encostar
Em coisas que eu nunca soube e que ainda não sei

Em tantos esboços eu rabisquei o seu nome
Rascunhos, rasgados, de raiva...queimei
Rabiscos de lápis esfregam-se e somem
E seu rosto é só mais uma das coisas que eu ainda não sei

Chorei

Senti-me amarga, cruel e ausente
Pedi um espaço para deixar-me alastrar
Perdi o compasso da vida presente
E estanquei o mar

Mar que queria jorrar do meu peito
E afogar você
Desfazer, destruir o que já estava feito
Fazer renascer
Mexer, sacudir, o parado e o perfeito
Empalidecer
Persuadir o rosto sagrado, sem jeito
Enrubrecer

Deixa

Deixa
Deixa o queixo bater de frio
Deixa o corpo tremer de cansaço
Deixa a mente mergulhar no vazio
Deixa as pernas, deixa a alma, deixa os braços

Sente o tempo levando as tristezas
Sente a força de se saber ser fraco
Deixa o mundo com suas friezas
Sente o poder do calor de um abraço

Sente no peito um profundo alívio
Vê ao redor o tamanho do estrago
Ouve o silêncio na dor do teu filho
Diz a palavra que desmancha os laços

Afia o fio da navalha!
Cai de novo em outro engano!
Entoa o grito da batalha!

Falha!

Que você é humano...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

CATAAAAAAAAARSE!!!.........................................ah...

Que a sua hipocrisia lave-lhe alma
que lhe seque
Cada veia do corpo
Cada unha dos dedos
Cada gota de saliva dessa boca venenosa

Que seu destino lhe reserve a ironia
que lhe persegue
por uma teia de medos
presa pra sempre em pesadelos
sem saida em alguma cena horrorosa

que eu já não seja mais nada pra voce
de fato
e nao só nesse seu trato de fazer parecer

Quero verdade servida no almoço
E nao tuas alfinetadas
mal dadas
fincadas
cravadas no meu peito

sem jeito

Que tal aprender a me ferir
Com vontade

Nojo...
Sou eu
Esse horror seu
me tira daqui

me

expulsa

A repulsa que lhe causo

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Ver você passar

Pelos quatro cantos da cidade
Eu vou procurando você
Te mando cartas em códigos mensagens
Telegramas que você nunca lê

Jogo no vento segmentos passagens
Dos poemas que eu fiz pra você
Mas o tempo desfaz a tua imagem
Só pra tentar me poupar de sofrer

Ver você passar é tão difícil
E fingir não ser apaixonada
Tentar não mostrar o que é visível
E viver assim sempre calada

E as palavras vão saindo da minha boca
Antes que eu possa tentar impedir
Antes da próxima eu já disse outra
Sem lembrar de todas de que me arrependi

Olhos molhados completam minha voz rouca
Rosto vermelho e um coração a se partir
Todos já dizem eu estou ficando louca
No desespero de me apaixonar por ti

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Eu já fui assim também
apressada com tudo
levando uma vida a cém
de fazer girar o mundo

Eu já fui de tentar voltar no tempo
de multiplicar a vida
de mostrar talento
e de viver enconlhida

Hoje eu paro no escuro
Me espalho no vento
Mergulho profundo
Mergulho na vida

Hoje me escondo em vitrines
em esquinas barulhentas
Agora já não complico o simples
E deixo pras memórias cada hora de tormenta

HOJE, SOU UM POUCO MAIS DO QUE EU NÃO FUI
UM POUCO MENOS DO QUE EU NAO SOU
EU JÁ NAO FICO
EU VOU.

Gaya Correia - sexta feira / 26 de setembro de 2008
por volta de 5 e pouco...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

À companhia das coisas

As coisas estão ali
E elas são lindas
E são boas
E são nítidas
E são minhas

E ao contemplar essas coisas
Todas
Soltas
Me acho coisa
e sozinha

Parada que nem me mexo
Calada que nem bocejo

Sozinha

Gaya Correia - mesma data do ultimo post -

Ladeada!

Então...
Tem um lado de mim que diz não!
Tem um lado de mim que diz sim!
Tem um lado quadrado, calado... que luta constantemente
Com esse meu lado mais...Emocionado...
Esse meu lado mais gente

Tem um lado de mim que é todo valente!
E outro que é todo enrolado
Queria saber quanta gente
Como eu também tem
Tantos, mas tantos lados!

Gaya Correia - acho que do mesmo dia do entrega...ou dia seguinte...(?)



Confesso a vocês que não acho esses versos de valor poético significante... Mas tenho certa simpatia por eles...então postei-os! =)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Meu nome é entrega

É, eu faço essas loucuras
Porque meu nome é entrega
Eu mergulho em água de chuva
Corro aonde escorrega
Pulo de qualquer altura
Porque meu nome é entrega

Eu ando à noite em rua escura
Eu acho que ninguém me pega
Eu fica à sorte, eu fico nua!
Porque meu nome é entrega

E enquanto entrega for meu nome
Eu passo frio, eu passo fome
Mas não deixo tudo aquilo
Que pra todo o peito clame

E para tudo eu sou sincera
Mesmo que caia a censura
Mesmo que lhe acorde a fera
E que lhe consuma a fúria!
Pois o meu nome é entrega!

Gaya Correia - 16 de setembro de 2008

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Primeiras notas dessa partitura...

MISSÃO DO BLOG: EMBARCAR CADA LEITOR EM UMA VIAGEM POÉTICA QUANDO POEMA, MUSICAL QUANDO LETRA DE MÚSICA

Para acessar meus dispositivos sonoros na rede:
www.myspace.com/gayabossapop
www.myspace.com/outofgaya

E meu dispositivo ilustratirvo:
www.fotolog.com/gayacorreiabp


Enfim...Primeiros versos...!

-Cais-

É um passo que eu dou pra frente
São dois passos que eu dou para trás
É espaço, é encontro, é gente
Num compasso lento demais

É passagem, é caminho, é percurso
Quando tudo o que eu quero é estrada
É teto, é parede, é muro
É retrato de uma vida parada
É tudo
É nada

É palavra que cala o meu peito
São amarras que prendem meus pés
São pedras que afundam desejos
Porque meu coração chora mais
É chão
É cais

Enquanto tudo devia ser mar
E o mundo devia ser paz
Contanto que eu não me deixe levar
Pelo que meu coração chora mais

Gaya Correia - 22 de setembro de 2008